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Ozônio é tema de pesquisa científica

Notícia publicada originalmente na revista Leite e Queijos

O uso de ozônio no controle de fungos em sala de maturação de queijos é estudado desde 2007 pela professora Andrea Troller na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Mestre em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Doutora em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas, Andrea Troller é especialista no estudo da inspeção e tecnologia de produtos de origem animal e suas cadeias produtivas. Também já foi coordenadora da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL). Desde 2007, a professora de mestrado da UFRGS desenvolve uma pesquisa sobre o “uso de ozônio no controle de fungos em sala de maturação de queijos”. A Revista Leite&Queijos, que tratou do assunto na sua última edição, fez questão de ouvir a opinião da pesquisadora e as novidades que seu estudo tem apontado.

Leite&Queijos :: O que motivou a pesquisa sobre o ozônio no controle de fungos em salas de maturação de queijos?

Andrea :: Na época foi uma demanda da indústria de laticínios, mas já havia lido trabalhos de outras partes do mundo sobre o assunto. O ozônio é, digamos, multiuso, ou seja, pode auxiliar na diminuição da microbiota do ar em ambientes que necessitam de alta segurança.

L&Q :: Qual é o foco/objetivo da sua pesquisa?

Andrea :: O foco da pesquisa, naquela época, era auxiliar a empresa a diminuir perdas e melhorar a qualidade do produto.

L&Q :: Durante essa pesquisa, pode-se observar outras potenciais áreas de estudo para qualificar essa indústria?

Andrea :: Há muito para ser feito e neste quesito aponto meus argumentos de forma genérica: 1 – A indústria de alimentos no Brasil é forte. 2 – A cadeia produtiva de lácteos tem um longo caminho a percorrer nos quesitos qualidade e inovação. 3 – O consumidor quer cada vez mais variedade e qualidade. 4 – Há um movimento mundial para o retorno e para a valorização dos produtos regionais. 5 – Os sistemas de qualidade e de inspeção higiênico-sanitária estão se modificando. 6 – O governo tem dado recursos e subsídios para a agroindústria de pequeno porte. Tecnicamente, só estes argumentos já demonstram a necessidade e a variabilidade potencial de desenvolver métodos, produtos e sistemas que garantam ou melhorem a qualidade dos produtos lácteos.

L&Q :: Existem outras pesquisas em andamento que possam trazer benefícios para a indústria de laticínios?

Andrea :: Muitas. Entretanto, a gente, na Universidade, percebe uma dissociação. A indústria pouco procura os ambientes científicos. A pesquisa científica nem sempre vem sintonizada com a real necessidade da indústria. De outro lado, não há o entendimento de que os pesquisadores necessitam de recursos técnicos e financeiros para desenvolverem suas pesquisas mais aplicadas e estes recursos devem vir, pelo menos em parte, do setor produtivo.

L&Q :: Como o setor produtivo pode se aproximar da área de pesquisa de modo a qualificar seus processos?

Andrea :: Minha percepção é que o setor deve estar aberto e receptivo a propostas de pesquisas em parceria. E os pesquisadores devem buscar entender quais as reais necessidades da indústria. A melhor aproximação é conversar e entender o que as partes podem fazer uma pela outra e em que estas iniciativas trarão resultados positivos.