Fones: (51) 99987.8734 - oxam@oxam.com.br
default-logo

Como o ozônio auxilia produtores e indústria na higienização

Notícia publicada originalmente na revista Leite e Queijos

Com ampla utilização na medicina, gás chega ao setor lácteo como importante bactericida auxiliando até mesmo na qualidade do leite.


A família Simon emprega o ozônio com excelentes resultados no sistema de ordenha.

O ozônio, um gás natural encontrado na atmosfera e formado a partir do oxigênio do meio ambiente, é popularmente conhecido por formar uma camada que filtra os raios ultravioletas. No entanto, segundo especialistas, o gás também é um excelente bactericida, fungicida e viricida, reconhecido como o mais seguro e eficaz método de tratamento de água do mundo. Suas vantagens são aplicadas na indústria, piscinas, estações de tratamento de água e esgoto, medicina, odontologia e agricultura. Utilizado com sucesso na conservação de frutas, vegetais, peixes e ovos, o ozônio também chegou às propriedades dos produtores de leite e indústrias de laticínios do Rio Grande do Sul.

Em Carlos Barbosa, a 110 quilômetros de Porto Alegre, o gás vem sendo empregado com excelentes resultados na propriedade da família Simon, que utiliza a tecnologia na higienização do sistema de ordenha. “No início não ficamos convencidos, mas logo começamos a identificar a vantagem do ozônio na água. Além da economia com a redução de outros produtos de limpeza, melhorou a qualidade do nosso leite”, revela Volmir Simon. Vale lembrar que a qualidade do leite está relacionada com a composição, rendimento industrial e inocuidade do produto. Os produtores também comemoram a eliminação de outro problema existente em sua propriedade, os resíduos encontrados na água após a limpeza das ordenhadeiras. “Essa água ia direto para as esterqueiras que usávamos no milho. Como tinha muito cloro acabava matando a lavoura. Hoje esse problema não existe mais”, lembra Irdes Simon.

A explicação, segundo Ivanildo Lins, diretor da Oxigênio da Amazônia, empresa que desenvolveu o ozonizador, está no subproduto do ozônio. “Como o subproduto da ozonização é o oxigênio, após a oxidação aumenta a concentração de oxigênio dissolvido na água, melhorando sua qualidade”, afirma. Apaixonado por agricultura orgânica e estudioso dos benefícios dos gases, Lins pesquisa há mais de 20 anos as aplicações do ozônio. No entanto, há cerca de três anos começou a mirar a agricultura, mais especificamente o setor lácteo como alvo das suas pesquisas. “O ozônio é o maior bactericida do mundo. Ele pode ser usado tanto na propriedade quanto na indústria por sua ação ser 1.500 vezes mais poderoso e 1.200 vezes mais rápido que o cloro. O mundo todo usa o ozônio como substituto de qualquer produto de limpeza”, conta.

A Cooperativa de Laticínios General Neto, localizada no município de Barão, a 77 quilômetros de Porto Alegre, é uma das pioneiras do Estado no uso do ozônio durante o processo de industrialização. A cooperativa, que produz cerca de 15 mil quilos de queijo por mês, utiliza a tecnologia no ar, durante o processo de maturação. “Começamos a utilizar o ozônio no nosso sistema de ventilação e os resultados foram imediatos. Além de reduzir nosso custo de produção com mão-de-obra, resolvemos problemas como fungo e mofo”, revela o responsável técnico da Cooperativa, Felipe Fakineli. Segundo o técnico, para atender a demanda de produção, foram adquiridos três aparelhos ozonizadores com três gramas cada. “Ligamos os aparelhos de 6 a 7 horas por dia, em média, e isso é suficiente para deixar o ar mais seco nas câmaras de maturação. Nosso próximo passo é utilizar a tecnologia em outras fases do processo”, afirma.

Outra indústria que vem colhendo bons resultados com o uso do ozônio é o Laticínio Lacmax, de Marques de Souza, a 115 quilômetros da capital. A empresa vem utilizando há cerca de seis meses a tecnologia na higienização e limpeza dos utensílios envolvidos no processo produtivo. “Estamos usando no ambiente da indústria, espalhado no ar, e tem ajudado muito na descontaminação do local e também na redução dos bolores e leveduras”, diz o diretor da empresa, Juliano Boaro. O empresário afirma que as vantagens da utilização do ozônio são tão significativas que ele apresentou a tecnologia aos seus fornecedores de leite. “Resolvemos levar essa tecnologia para os produtores quando identificamos que 70% deles estavam com o seu leite fora da normativa e o resultado foi incrível. Depois que passaram a utilizar o ozônio na limpeza dos utensílios de ordenha tiveram um ganho de qualidade e redução de custo”, ressalta Boaro.

Mas não é apenas na captação da matéria-prima que o ozônio mostra bons resultados; a tecnologia também se mostrou uma grande aliada no processo de produção. Na Dielat Laticínios, com indústria em Taquara, a 72 quilômetros de Porto Alegre, o gás é utilizado na produção de leite em pó. “Utilizamos no transporte do leite em pó nas tubulações, através do sistema de ar, antes do ensacamento”, afirma Nerildo Antônio Cordeiro, diretor da empresa. O laticínio, que produz aproximadamente 20 toneladas de leite em pó por dia, e vende para todo Brasil, utiliza a tecnologia há seis meses e vem colhendo bons resultados. “Tivemos uma redução significativa na contagem microbiana, além de uma redução considerável nos odores quando utilizado no tratamento de efluentes”, afirma. Apesar da aprovação de produtores e empresários da indústria, ainda existem muitas dúvidas e falta de informação sobre essa revolucionária tecnologia já utilizada há muitos anos em outros países.

O ozônio também é utilizado no ar, durante o processo de maturação dos queijos na Cooperativa Laticínios General Neto.

Legislação

Em alguns países como Alemanha, Canadá, França e Estados Unidos, o ozônio é usado há mais de 100 anos. Sua aplicação é aprovada por órgãos de saúde de várias partes do mundo, entre eles o Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, inclusive para uso em lavagem de alimentos para consumo humano.

No Brasil, dentro do processo de normatização da produção orgânica, a Instrução Normativa 18, de 2009, trata das normas de processamento tanto de alimentos de origem animal como vegetal. “Nessa IN 18 é permissiva a utilização do ozônio, seja para higienização ou até mesmo para entrar em contato com os alimentos orgânicos”, explica José Cléber Souza, chefe no Rio Grande do Sul do Programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Pro-Orgânico). Souza destaca que embora a IN 18 tenha sida elaborada em parceria com o Ministério da Saúde e Anvisa, a normatiza trata apenas de alimentos.


Na Dielat Laticínios o ozônio é utilizado no transporte do leite em pó pelas tubulações, através do sistema de ar, antes do ensacamento.